Técnicos e produtores apontam vantagens do sistema semi-hidropônico em relação ao tradicional plantio no solo

A mudança na forma de produzir morangos no Espírito Santo, substituindo o plantio convencional em terra para o atual cultivo semi-hidropônico, trouxe avanços para os produtores e, também, para a qualidade dos alimentos cultivados. A constatação foi apresentada na terça-feira (26) por palestrantes convidados pela Comissão de Agricultura para falar sobre os desafios para o fortalecimento da cadeia produtiva do morango no estado.
A semi-hidroponia é uma forma de produção que combina elementos da hidroponia (na qual os alimentos são cultivados apenas com água e nutrientes e sem solo) com o uso de um chamado substrato inerte (como resíduos orgânicos, argila expandida e areia). Nesse substrato as raízes das plantas se expandem e absorvem os elementos nutritivos do cultivo.
A produção capixaba do morango que utiliza o sistema semi-hidropônico traz, entre outros benefícios, a redução de fungos que são mais típicos nas plantações em solo, a melhor ergonomia de trabalho para os produtores – já que as bases das plantas são elevadas – e também oferece uma melhor qualidade do alimento, resultante dos nutrientes e água absorvidos de forma equilibrada e com menos uso de defensivos agrícolas.
Produção expressiva
O presidente da comissão, deputado Adilson Espindula (PSD), destacou os números expressivos da produção de morango em solo capixaba. “Em 2024, ultrapassamos a marca de 32 mil toneladas colhidas, um crescimento de mais de 5% em relação ao ano anterior. Isso significou cerca de R$ 396 milhões em renda para as famílias rurais, consolidando o morango como uma das potências da fruticultura capixaba”, relatou o parlamentar.
Para o deputado, esses dados não são apenas estatísticas, mas representam o resultado do trabalho de milhares de famílias que se dedicam ao cultivo no Estado, enfrentando desafios como o clima, os custos de produção e as exigências do mercado.
Espindula também ressaltou a qualidade da produção capixaba e as técnicas de cultivo no estado: “Tecnologias como o cultivo semi-hidropônico, a assistência técnica dos órgãos de pesquisa e extensão, e o empreendedorismo de empresas que fornecem insumos e novas técnicas, ajudam a elevar a produtividade e a melhorar as condições de trabalho no campo”.
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Resultados
Um dos palestrantes da reunião foi o técnico de desenvolvimento rural do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Alexandre Neves Mendonça, que detalhou o processo de mudança do cultivo do chão para o feito nas bancadas suspensas (slabs) da semi-hidroponia.
O técnico abordou a importância de levar o conhecimento até o produtor para facilitar o trabalho, melhorar as lavouras e a qualidade do produto.
“Quando o produtor consegue aplicar todos os recursos com maestria, ele alcança ótimos resultados, inclusive com tamanho diferenciado do produto. Nossos produtores conseguem alcançar a qualidade no cultivo e produzir morangos maiores, muito saborosos e crocantes.”, afirmou Mendonça.
O técnico também destacou a grande produtividade do morango no estado: no painel do Agronegócio do Estado, “o morango está em 47º lugar em área colhida, mas está em 19º em produção e em 7º lugar em valor. São áreas pequenas, mas que produzem muito e têm um valor agregado muito grande”.
Para aumentar a produtividade, Mendonça citou os desafios com a quantidade e qualidade da mão de obra e com a carência de orientação técnica. Para ele, apesar de todo o trabalho desenvolvido pelo Incaper, ainda é necessário aumentar o número de pessoas para levar assistência a todos os agricultores do estado – e não apenas na produção do morango.
Fomento
O diretor-geral da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Rodrigo Varejão Andreão, relatou o trabalho desenvolvido pela autarquia para a cadeia produtiva do morango. Segundo o diretor, a Fapes disponibilizou, nos últimos 11 anos, R$ 1,24 milhão para o setor, em 11 projetos distintos.
Os recursos envolveram projetos de pesquisa e extensão sobre temas como: análise econômica da cultura; aproveitamento de resíduos para a produção de substratos; controle de pragas; desenvolvimento de bebidas funcionais; estudo da cadeia produtiva; e melhoramento na produção de mudas.
Outros nove projetos foram aprovados pela fundação, mas ainda não foram contratados. A solicitação de recursos para esses estudos é de pouco mais de R$ 800 mil, no total.
Qualidade de mudas
Outro palestrante foi o empresário Edson Cozer, do ramo de insumos agrícolas e mudas de morango, atuante no município de Santa Maria de Jetibá. Para Cozer, além das vantagens implementadas na produção, com a mudança do convencional plantio no chão para o sistema semi-hidropônico coberto, a qualidade das mudas influenciou de maneira expressiva a produção capixaba.
O empresário lembrou que as mudas importadas de países como Argentina, Espanha e Chile ajudaram muito a garantir a produção que o Espírito Santo tem hoje, sobretudo na região serrana do estado.
Álvaro Brandt, produtor de morango em São João do Garrafão, no município de Santa Maria de Jetibá, relatou a importância do cultivo para a sua família. “Tudo que eu tenho e preciso na minha propriedade, eu dependo da nossa produção de morango”. O agricultor, no entanto, lembrou que é preciso mais assistência e tecnologia para que os produtores consigam avanços, principalmente em áreas como o controle de pragas.
Turismo
Outro tema abordado durante a reunião foi a importância de eventos como a Festa do Morango em Pedra Azul, tanto para os produtores como também para o turismo e a economia das regiões produtoras.
A presidente da Associação Festa do Morango em Pedra Azul (Afemor), Lair da Penha Cebin, avalia que o turista que vai à região para a festa consome não apenas a tradicional torta de morango, oferecida durante o evento. Para ela, “o turista vai nas propriedades colher o morango, compra os derivados, enche os hotéis e restaurantes”, divulgando a cultura do morango e movimentando a economia local.
Lair contou que a festa, já em sua 35ª edição, conta com cerca de 700 a 800 voluntários trabalhando, e tem entre os destaques as tortas gigantes servidas no sábado (com 300 quilos) e no domingo (com 500 quilos).
Já Weliton de Oliveira, representante de empresa na região serrana que compra os morangos de produtores e os distribui para vários estados brasileiros, falou sobre o escoamento do produto, tanto com a fruta in natura como congelada. A empresa, com cerca de 1.300 colaboradores, tem mais de 600 produtores parceiros cadastrados e escoa a produção para todo o país, mantendo a qualidade das frutas.
A reunião também contou com a presença dos deputados Toninho da Emater (PSB), Janete de Sá (PSB) e Raquel Lessa (PP). Após a reunião, os participantes conferiram a produção de morangos da região serrana, além de produtos derivados da fruta.
Por Assessoria de imprensa Ales