Com uma atuação cada vez mais importante no agronegócio, as mulheres se destacam como protagonistas, superando desafios e conquistando espaços de liderança no campo

Nos dias atuais, mulheres têm ocupado cada vez mais espaços na sociedade, com a participação em setores econômicos, culturais, produtivos e sociais. O empoderamento feminino e o debate envolvendo a necessidade de valorização do papel da mulher crescem à medida que tais conquistas se consolidam.
Não só na área urbana, mas igualmente no campo as mulheres assumem cada vez mais a gestão da produção de alimentos. O Portal da Assembleia ouviu algumas mulheres que estão à frente na produção da agricultura e da pecuária familiar nos municípios de Alegre e Muniz Freire para saber como elas encaram o protagonismo no meio rural.
Assentamento
A agricultora Maria da Penha Lomar criou sete filhos ao mesmo tempo em que trabalhava na lavoura com o marido. Hoje, com os filhos casados e já aposentada, continua a trabalhar na roça no Assentamento Floresta, no município de Alegre, na Região de Caparaó.
Para Maria da Penha, as mulheres participam ativamente das ações coletivas, mas precisam de mais apoio do Estado e de mais informações. Ela diz que também é necessário ter maior valorização por parte dos homens e dos governos e mais recursos para a produção.
“As mulheres no Assentamento Floresta são muito participativas. São associadas, participam das reuniões, das atividades e da roça. A gente produz milho, café, feijão e frutas. Precisamos de orientação, palestras para gente poder estar sempre por dentro das coisas. As mulheres têm direito de assumir responsabilidades”, defende Maria da Penha Lomar.
Atuação política
A mulher ganha importância não só na produção agrícola, mas também na direção política. Maria José Valani preside o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Muniz Freire e, no seu mandato, criou a Comissão de Mulheres da entidade, que promove debate e atividades com foco nesse público. A sindicalista destaca que elas se sentem acolhidas quando tem mulher na direção e que há um empoderamento na vida pessoal e produtiva de cada uma delas.
“Tenho que agradecer às mulheres que chegaram antes de mim e aos homens que acamparam essa luta de inserção das mulheres nos espaços de decisão. Com minha chegada vieram outras mulheres e elas se empoderaram, tanto na vida pessoal como na vida produtiva. Quero destacar o papel da mulher nos espaços de organização da sociedade. A gente vive no patriarcado, então temos que fazer muito bem e ainda melhor que os homens. Com a gente, a cobrança é maior”, observa Maria José Valani.
Regiane Aparecida da Cunha, secretária da Associação Comunitária de Amorim, distrito de Muniz Freire, reforça a condição de independência e confiança que a mulher conquista cada vez mais na área da agricultura familiar. Ela não só produz como também comercializa a produção.
“A gente vê o desempenho das mulheres agricultoras em nosso município e em todo o Brasil. Hoje, a mulher ganhou confiança e independência na área da agricultura familiar, ela está além do que imaginávamos há 10 anos”, avalia Regiane.
Vocação ancestral
A vocação natural para a administração e o talento para o acolhimento são destacados como qualidades que favorecem o protagonismo feminino. Na opinião da produtora agropecuária Sara Bueno Pinheiro, de Muniz Freire, o talento da mulher vem de sua ancestralidade como mãe e pilar da família.
“Nós mulheres temos uma visão de gestão materna, mais acolhedora, e com isso nós fazemos que nosso trabalho seja mais produtivo. Somos mais organizadas, mais disciplinadas. Somos mães, esposas, cuidamos dos filhos, dos lares. Temos uma vocação natural para a administração. Nosso protagonismo tende a aumentar porque estamos perdendo o medo de gerenciar”, afirma Sara Pinheiro.
No Estado do Espírito Santo há mais de 14 mil propriedades rurais. Deste total, cerca de 4.500 são comandadas por mulheres, de acordo com as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Por Conexão Safra




