Prevenção, tecnologia e ação integrada: Vitória está há quase 600 dias sem feminicídios

Foto: Divulgação

O Brasil vive um cenário alarmante quando o assunto é violência contra a mulher. Dados do Ministério da Justiça apontam que os casos de feminicídio bateram recorde no Brasil no último ano, contabilizando uma média de quatro mulheres mortas por dia. Em meio a esse contexto preocupante, Vitória apresenta uma estatística totalmente oposta: há quase 600 dias não registra nenhum caso de morte violenta de mulher, por ser mulher.

Mas quais foram os acertos da capital capixaba para alcançar este cenário? Trata-se do reflexo de uma política pública contínua, que combina prevenção, tecnologia, atuação integrada e acolhimento às vítimas. A Guarda Civil Municipal de Vitória (GCMV) tem papel central nesse trabalho, atuando desde o atendimento emergencial até o acompanhamento de mulheres com medidas protetivas de urgência.

Entre as ferramentas da corporação está o Botão Maria da Penha, dispositivo tecnológico que garante resposta rápida da Guarda de Vitória em situações de risco iminente à vítima. Ao ser acionado, o botão envia a localização da mulher à Central de Monitoramento (Ciom), que imediatamente direciona uma viatura ao local e acompanha a ocorrência com suporte tecnológico, inclusive com captação de áudio do ambiente.

Além disso, a Guarda realiza patrulhamento preventivo, fiscalização do cumprimento de medidas protetivas, atendimento humanizado às ocorrências de violência doméstica e atua de forma integrada com o Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil e a rede municipal de assistência social. É um enfrentamento de constância e compromisso, como destaca a comandante  Dayse Barbosa.

“Esse resultado não acontece por acaso. É fruto de um trabalho diário, integrado e sensível. Atuamos para proteger vidas, mas também para evitar que a violência evolua para situações extremas. Cada mulher acompanhada, cada medida fiscalizada, cada resposta rápida faz diferença”, afirma.

A Prefeitura de Vitória também investe em políticas públicas voltadas à proteção da mulher, com ações de prevenção, fortalecimento da rede de acolhimento, campanhas educativas e integração entre as secretarias. O objetivo é agir antes que a violência chegue ao seu estágio mais grave.

Dados do Ministério da Justiça apontam que foram 1.470 feminicídios em 2025, número superior ao ano anterior. “Enquanto o Brasil ainda enfrenta números tão altos, Vitória mostra que é possível mudar essa realidade. Mas o enfrentamento à violência contra a mulher precisa ser uma responsabilidade coletiva. Denunciar, acolher e agir salva vidas”, completa a comandante.

Leonardo Silveira
Casa Rosa - Fachada
Casa Rosa – reúne equipe multiprofissional com médicos, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas e oferece acompanhamento clínico, psicossocial e orientação às mulheres e suas famílias. (ampliar)

Ainda assim, o desafio da cidade permanece: mudar a cultura da violência e garantir que nenhuma mulher seja silenciada, ferida ou morta por ser quem é. Por isso, além da atuação da Guarda de Vitória, a Prefeitura de Vitória investe em uma rede de serviços públicos de apoio às mulheres em diferentes frentes. O Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cramsv) oferece acolhimento especializado, escuta qualificada, avaliação de risco e encaminhamentos a serviços de assistência social, saúde, educação e proteção, fortalecendo tanto a segurança quanto a autonomia das mulheres atendidas.

Outra iniciativa importante é a Casa Rosa, espaço que reúne equipe multiprofissional com médicos, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas para oferecer acompanhamento clínico, apoio psicossocial e orientação às mulheres e suas famílias em situação de violência. O serviço atua também na promoção de prevenção e promoção da saúde, com foco na superação de traumas e no fortalecimento de vínculos familiares e comunitários.

A Prefeitura também desenvolve ações de conscientização e educação sobre gênero e prevenção à violência, como a campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.

Para a comandante da Guarda de Vitória, Dayse Barbosa, esse trabalho integrado faz toda a diferença. “Vitória tem construído uma rede de proteção que combina resposta imediata, acolhimento psicossocial e políticas públicas de prevenção. Não se trata apenas de reagir à violência, mas de fortalecer a vida, assegurar direitos e promover a autonomia das mulheres. Cada serviço que se soma à rede é um passo em direção à mudança de cultura e à garantia de que nenhuma mulher esteja sozinha nesse enfrentamento”, afirma.

Especialistas e autoridades reforçam que, embora o cenário nacional ainda demande políticas mais eficazes e presença do Estado em rede de proteção, a experiência de Vitória mostra que a articulação entre segurança, assistência social, tecnologia e educação pode produzir resultados concretos na prevenção da violência de gênero.

 

Por Glacieri Carraretto (gcpereira@vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes/Prefeitura de Vitória

Compartilhe
banner-anuncie-770x198-1

Receba as principais notícias do dia no seu WhatsApp e fique por dentro do que acontece no Espírito Santo! Clique aqui.

CONTINUE LENDO